sexta-feira, 24 de maio de 2019

Aula


Em uma aula de reforço, dois meninos conversam sobre que tipo de livro eles gostam de ler. O Pedro pergunta para seu colega:
     — Então Caio, qual o tipo de livro você gosta mais? 
     — Mais? — Surpreende-se Caio — Gosto mais de livros literários! Você curte? 
— Não muito, sou mais de ler cruzadinhas!
— Como assim? Você não se identifica com textos literários, apenas com cruzadinhas?
— Sim, porque acho que tenho mais afinidades em ler palavras cruzadas, me identifico melhor!
     — Essa sua afinidade em ler palavras cruzadas, você não consegue expressar em livros literários também?
— Bom, eu penso que é quase igual, mas não consigo manter o foco e me envolver com a leitura.
— Então você fala para a professora sobre isso e ela vai passar a lhe explicar melhor, vai te ajudar. 
— Ok, vou conversar mais a respeito disso. Mas e você ?
— Eu ?
— Sim, você!
— Ah, eu gosto de todo o tipo de leitura, afinal a professora me ajudou muito, por isso você deve bater um papo com ela.
— Ok! Quem sabe depois dessa nossa conversa eu não me interesse mais por leitura, afinal todos dizem que é muito importante.

 Camille Pinheiro Spath – aluna do 1º ano IV da E. E. E. M. Prof.ª Maria da Glória Rodrigues Paixão

Lugar onde eu morava


Nasci e cresci em Pernambuco. Meu pai é baiano e minha mãe, paraense.
     Com dois anos fomos morar em Salvador, capital da Bahia. Lá aprendi seus ritmos e sua cultura: dança, capoeira, seu modo de falar etc. Mas estranhei muito o sotaque dos baianos, pois em Pernambuco falamos de um modo bem diferente e eu, é claro, falava como os meus familiares, o que acabou fazendo com que eu sofresse bullying na escola.
Com oito anos de idade meus pais resolveram vir morar no Pará. Chegando aqui, notei muitas diferenças: o estilo das casas, o modo de falar das pessoas, a culinária, a música etc.  Quando chegamos, minha avó, paraense da gema, me olhou e falou:
– Égua mana, mas vocês demoraram pra chegar, hein?!
 Quando ouvi  isso já notei diferença no seu sotaque. Eu respondi:
 – Então, né, vó. De lá pra cá, onde nós ‘morava’, é longe demais, ‘véi’. São três dias de viagem e doze horas, de lá pra cá.
 Meu avô chegou, era mineiro, estranhei mais ainda por conta de como ele fala, ele dobra muito o "R". Então ele perguntou:
– Uai, que horas vocês chegaram? Por que tanta demora?
– Chegamos agora pouco, cara. Estamos cansados pra porra, ‘véi’. A estrada ‘tava’ muito ruim. Respondeu meu pai.
Então percebi que no Brasil há vários modos de falar, cada região, cada estado e também cada cidade tem suas variações linguísticas. 

 Eduarda Chaves Silva – aluna do 1º ano IV da E. E. E. M. Prof.ª Maria da Glória Rodrigues Paixão

sexta-feira, 17 de maio de 2019

Mó gente boa


O pai chegou no filho e perguntou:
– Filho como foi o seu dia?
     O filho respondeu:
– Depois da escola meus parças e eu fechamos um rolê na baixada, pra dar uma volta e vê as minas.
     O pai, compreendendo o que o filho diz, pergunta:
– Quem são as "minas"?
– São as gatas que estudam na escola dos Pinheiros. A ‘pivetada’ de lá é foda, mó gente boa.
O pai se sentindo incomodado com o modo de falar do filho pergunta:
– Filho, onde aprendeu a falar de tal maneira?
– Sei lá, meus parças falam assim e acabei pegando esse jeito.
– Você deveria ser mais formal com sua maneira de falar, falar de tal maneira pode te prejudicar no futuro.
– Ah, vá! Não vou me preocupar com isso no momento. Estou saindo com os parças, fui-me.
O pai indignado diz: 
– No momento você não vai se importar, mas quando você for tratado de forma diferenciada por causa do seu modo de falar, aí você irá me compreender.
O filho sai pensando no que o pai disse, e ao encontrar seus amigos diz:
– Boa tarde, caros amigos, como v... Cara essa merda de linguagem formal é um saco. Caguei! 


Kettly Carvalho Fernandes – aluna do 1º ano IV da 
E. E. E. M. Prof.ª Maria da Glória Rodrigues Paixão