quarta-feira, 20 de maio de 2015
sexta-feira, 23 de janeiro de 2015
Sobre a crise educacional
“A crise educacional não é uma crise e
sim um projeto”, disse Darci Ribeiro. E se nos questionarmos um pouco a
respeito dessa afirmação veremos o quanto ela é verdadeira. A educação definha
em um país tão rico como o nosso e quando tentamos encontrar motivos para isso,
naturalmente, o principal argumento que temos é o da corrupção, entranhada na
história de nossa terra. Mas não é bem por aí, existem fatores muito maiores,
mais antigos e poderosos, que estão por trás desta crise, ou melhor, deste “projeto”.
A
história nos mostra que desde a criação da escrita o homem encontrou meios de
burocratizar e tornar difícil o acesso a tal conhecimento. Os antigos escribas
eram pessoas importantíssimas nas sociedades e repassavam seu conhecimento
apenas aos seus filhos, numa forma de monarquia cujo poder era o domínio da
escrita.
Tempos
depois, já sob o domínio da Igreja, o mundo atravessou um período de total
repreensão sobre todo e qualquer pensamento científico. O conhecimento era limitado
apenas aos clérigos, e em muitos casos, como vimos com Umberto Eco em O nome da rosa, os livros eram
envenenados para que ninguém tivesse acesso ao conhecimento, ou melhor, para
que os que o tivessem não sobrevivessem, garantindo assim a perpetuação da
ignorância entre os fiéis, o povo, a plebe.
Após
muitas lutas: ascensão da burguesia, Revolução Industrial, surgimento das lutas
de classe, guerras mundiais, o homem sofreu um processo que poderíamos chamar
de humanização, pois nos tornamos um pouco melhores: quase acabamos com a
escravidão, ao menos a legal; surgiram constituições, e com elas conquistamos
direitos; mas ainda estamos muito distantes de nos libertarmos do julgo do imperialismo,
da sede de poder, que hoje nos domina sob os moldes do capitalismo. Deixamos de
ser escravos dos senhores feudais e da religião para nos tornarmos escravos do
lucro. E a educação, por mais que tenha se tornado quase universal, ao menos
nos países desenvolvidos, e também em nosso país, nunca passou de uma
ferramenta poderosíssima nas mãos do capital para a manutenção da ignorância,
ou melhor, para amansar a prole, para que em países como o nosso Brasil os
poderosos possam mostrar aos credores que o povo já consegue ler o manual de
uma máquina e apertar um botão, gerando lucros sem danificá-la, e o mais
importante: sem pensar... O que faz a educação tecnicista, se não preparar mão
de obra barata?
Mas
não podemos deixar de reconhecer que houve avanços, pois existem uns poucos
iluminados que conseguem formar-se na escola pública e tornarem-se agentes
transformadores em nossa sociedade, geralmente em cargos educacionais.
Verdadeiros guerreiros que dia e noite enfrentam a dura realidade da
desvalorização do seu trabalho e, o pior, que é ver a educação afundar num
grande mar de problemas que poderiam ser evitados caso não houvesse tantas
artimanhas do sistema para desviar o foco dos jovens do conhecimento, pois convivemos
com alunos que preferem qualquer coisa ao conhecimento. Um reflexo da
fragilidade da família, da falta de cuidado dos pais ou responsáveis, e culpa
principalmente da grande mídia, uma arma enorme nas mãos dos poderosos, que não
incentiva a educação em sua programação, privilegiando o índice de audiência, o
lucro, em lugar da construção de uma sociedade do conhecimento, fazendo da
liberdade de expressão uma verdadeira libertinagem, tornando a sexualidade algo
banal, empobrecendo a nossa cultura, fazendo com que as pessoas não pensem, ou
melhor, fazendo com que pensem naquilo que veiculam, que consumam aquilo que
propagam, que votem naquele que determinam, etc. fazendo do povo o que chamam
de “massa de manobra”.
Enquanto isso, os cargos elitizados:
medicina, advocacia, engenharia, etc. sempre estiveram nas mãos dos filhos dos
patrões ou, em raros casos, dos que se sacrificam para pagar pela educação da
burguesia. O que torna extremamente incoerente o fato de ouvirmos a burguesia a
reclamar da quantidade de impostos que a todo o momento pagamos. Preferem
ausentar-se da luta por uma educação digna, gratuita, a ver os seus filhos,
futuros patrões, estudando ao lado dos filhos de seus empregados. Ou será que
enxergam isso como uma solução para a futura relação de exploração entre seu
filho e o filho de seus empregados? Nem é preciso esforço para encontrarmos a
resposta... A escola particular é sim um instrumento importantíssimo para a
manutenção do poder das famílias burguesas e que deve ser visto por nós,
trabalhadores, como algo a ser eliminado de nossa sociedade. Só assim, talvez,
a escola pública se torne melhor, já que os filhos dos que a regem serão seus
alunos.
Os governos vem e vão, as promessas são
esquecidas, o povo continua vivendo na obscuridade, os tais direitos iguais nem
sequer são conhecidos como direitos pela maioria, que vive mendigando um pouco
mais da esmola que os burgueses nos oferecem para acalmar nossos ânimos e
fazer-nos pensar que melhorou. “Já dá para o arroz, o feijão, às vezes para a carne,
e não falta o da cachaça. Diversão? Na televisão tem a beça: muita música
sertaneja, funk, bunda e sexo. Programação perfeita para o povo. Uma
programação ignorante para um povo que ignora. Tudo perfeito para continuarmos
a dominar esse bom gado, essas boas ovelhas, esse povo maravilhoso que não sabe
o que é política, porque os ensinamos a dizer “política não se discute”. Esse
povo maravilhoso que nos elege de dois em dois anos para continuarmos mamando
nas tetas dessa grande vaca que se chama Capitalismo.” Assim pensam os que nos
oprimem... E nós queremos ao menos pensar?
quinta-feira, 9 de outubro de 2014
quarta-feira, 1 de outubro de 2014
Considerações sobre os adolescentes a família, a crise de valores e a política em nossa sociedade
Na Rua Governador Valadares, bem próximo ao hospital Santa Maria, havia uma velha casa de madeira. Abandonada pelos seus donos, aquela casa se tornara um cantinho dos prazeres. A molecada se reunia todas as noites para bebericar o que conseguiam, da maneira mais escondida possível, e imaginar que eram homens, bebendo, usufruindo daquilo que a cultura de nossos pais, machista, desde pequenos nos ensina ser o certo, mesmo sendo o errado. É cultura, né? Fazer o quê?!
Outras vezes, depois dos hormônios mais evolvidos podíamos nos permitir visitas de mocinhas já mulheres, vivendo as ebulições hormônicas dos seus quatorze, quinze anos, permitindo às filas de moleques provarem daquele mel prometido, sabia Deus a quem...
Meu Deus!... Só Deus é que protegia aquela legião de prováveis aidéticos...
E hoje? O que os jovens fazem?
Não chega a ser tão diferente, mas hoje a libertinagem e a ausência de valores, inclusive éticos e morais parecem estar mais acentuadas. Na verdade muita coisa deixou de ser camuflada...
Quando me lembro da forma como tínhamos medo de sermos pegos por um adulto. Era medo mesmo! Se nossos pais soubessem de alguma de nossas traquinagens, Deus do céu! Era “caixão e vela preta!” Hoje parece que a molecada não se importa com a possível repreensão de um adulto. Ao que parece, eles nem diferenciam mais adultos de adolescentes ou crianças. Talvez seja pela confusão que a TV tem feito há anos mostrando crianças que vivem como adultos, se vestem como adultos, tem uma vida sexual ativa, como adultos... São crianças... E nem vou pedir que acredite, pois nem é preciso, basta olhar para os lados.
Achamos tudo o que acontece com a juventude algo anormal, mas não é bem por aí. Para eles, tudo o que achamos impróprio para suas idades, é muito normal. Esse tem sido um dos problemas, não deles, mas nosso. Os tratamos como achamos correto, mas estamos é perdidos, pois eles, com certeza, nos acham muito atrasados. O pior é que somos mesmo...
Eles já sabem de tudo o que achamos que não sabem, já conversam sobre todos os assuntos que pensamos ser vergonhoso para eles, já fazem coisas que nem se quer imaginamos, quando estão sozinhos ou com os amiguinhos ou amiguinhas. Em suas cabeças existe um universo que, se pudéssemos navegar por suas galáxias, certamente teríamos o pior de todos os nossos pesadelos, pois o que esperamos deles é que sejam crianças, crianças apenas... Mas não o são! Não mais!
Essa crise familiar que o nosso país está vivenciando, por estar ainda em seu começo, não permitiu que a população parasse e desse a devida atenção que a discussão merece. Mas a passos largos o caos está tomando nossas casas, nossos bairros, nossas cidades, e por todos os cantos do país vemos casos de jovens sem futuro, casos de crianças que dão à luz a outras crianças, casos de pais cada vez mais omissos, ausentes, e, por isso, muito compreensivos com os seus filhos quando não deveriam ser...
Então, o que fazer?
Solucionar este problema será um enorme desafio para as conjunturas políticas que pretendem comandar o nosso país, os nossos estados, as nossas cidades. Mas, sinceramente, acredito ser muito difícil que os governos neoliberais, financiados pelas grandes empresas, banqueiros e corrupção, sejam capazes de encontrar caminhos que possam ser trilhados por essa nova sociedade que se apresenta. Até porque é de interesse do poder que as pessoas não tenham a capacidade de reconhecer a verdadeira situação em que vivem política, social e economicamente falando. Famílias desestruturadas acabam por contribuir com os problemas sociais que vivemos hoje de modo insofismável. E quando falo em famílias falo em todos os tipos de família que temos hoje, pois a família tradicional há muito que vem definhando por diversos motivos.
Quando um pai precisa de um político para conseguir que sua conta de luz seja paga, ou precisa de um corrupto para que o remédio que deveria estar no postinho chegue até o seu filho, ou precise se humilhar diante de um vereador ou prefeito para conseguir uma ambulância para levar o seu filho acidentado até a cidade mais próxima com UTI (o que deveria existir em todas as cidades, se observarmos a quantidade de impostos que pagamos), quando este pai ou mãe precisa passar dias atrás de um político para conseguir um contrato temporário para poder sustentar sua família, como se não tivesse direito a um bom emprego, como se não tivesse direito a ter em sua cidade um concurso público para que pudesse conquistar a sua vaga e não precisar ser humilhado por sigla partidária alguma... Quando coisas assim acontecem, é porque, infelizmente, a sociedade nem se quer sabe o verdadeiro papel de um político, ou então, pior ainda, a necessidade que o povo passa devido à corrupção e má administração é tanta que o povo se vê obrigado a aceitar o inferno em que vivemos... Estamos sem saída... Talvez...
A educação, a ciência, o conhecimento, que são a única saída para o povo, são desmoralizados através das armas que o poder utiliza para fazer do povo eternos ignorantes: sucateamento da educação pública, em todos os níveis; desvalorização dos profissionais da educação; a TV; a prostituição legal; a banalização do sexo através de músicas, filmes e sua livre divulgação através dos diversos e modernos meios de comunicação; até a própria igreja, com sua milenar alienação cultural e científica, sempre se curvando aos poderosos, seus patrocinadores... Verdadeiro cerco fechado...
Temo muito pelo futuro que nossos filhos terão... Temo muito pelo futuro que eu terei, pois para todos os lados que olhamos nestes dias de campanha vemos os frutos da corrupção se aproveitarem da ignorância, câncer de nossa sociedade, e fazerem com que pernas e braços empunhem pendões e entreguem folhetins com os números daqueles que sem dúvida são os culpados por tais braços e tais pernas terem de se submeter a tal opressão, a tal vergonha, a tal humilhação...
Espero em Deus que a humanidade possa um dia abrir os olhos, que possa discernir entre a exploração e a comunhão, que aprenda com o “mistério” de Cristo o que vem a ser comunidade, entrega, socialismo, luta pelos irmãos, que são as pessoas de todas as cores, classes, opções sexuais, religiões, partidos políticos, países, etc. e que através do conhecimento e evolução que o Criador nos proporcionou possamos construir uma terra livre de opressores, de políticos corruptos, da ignorância, e que todos tenham oportunidade de ser, de dizer, de sonhar, de fazer um mundo melhor.
terça-feira, 30 de setembro de 2014
Politização Social: Considerações sobre os adolescentes a família, a c...
Politização Social: Considerações sobre os adolescentes a família, a c...: Na Rua Governador Valadares, bem próximo ao hospital Santa Maria, havia uma velha casa de madeira. Abandonada pelos seus...
Frases de alunos...
Estava a rever as postagens de meu blog e encontrei
esta. São frases dos meus alunos de 2012, alguns deles pivôs do movimento
"Mais água", que aconteceu na escola Maria da Glória na semana
passada. Essas frases mostram o quanto esses alunos já eram coerentes naquele
ano. Quanto ao movimento, repito o que disse ontem, na reunião, a eles: "O
movimento precisa ser organizado, politizado, dessa forma faz-se necessário o
conhecimento, para que o movimento de vocês não seja fragilizado, criminalizado
e nem transformado em politicagem pelos "abutres" da política de
nossa cidade.”
“Se ao pegar o livro você disser: ‘Vou pegar esse livro, vou ler e vou me imaginar na história’, assim você vai compreender a história e, no final, você vai falar: ‘Esse livro é bom... Amanhã, vou ler outro!’.”
Érica
Souza Lopes – 8º ano B
“Quando
a gente vai à frente dos colegas explicar, com todo o amor, com coragem, é
porque sabemos falar tudo o que está escrito na leitura, então os colegas
perguntam: ‘Por que você sabe explicar tão bem?’, e a gente responde com muita
atenção: ‘Porque tenho a leitura comigo...’.”
Antônio
Adriano – 8º ano B
“A
leitura é a melhor forma de aprendizado”
Dhéssica
Rocha – 8º ano B
“Ler e se
expressar na frente de todos não é mico, e sim capacidade de mostrar aos outros
que você pode chegar a algum lugar e falar.”
Andréia
da Silva – 8º ano B
“Para
garantir um futuro de sucesso e qualidade de vida basta estudar bastante e
sempre ler.”
Érika
Silva – 8º ano B
“Os
livros, os textos, os poemas nos dão a visão abrangente e diferenciada que a
ignorância nos tira.”
Luziane
Silva – 9º ano A
“Lendo
os livros, aprendemos a ler o mundo...”
Carla
Emmanuelly – 9º ano A
“Os
livros nos ajudam a sonhar...”
Fernanda
Ramos – 9º ano A
“Vamos
todos ler
Para
melhor aprender!”
Antônia
Gilzeneide – 9º ano A
“...
na verdade a leitura é a melhor coisa que existe. É como um teatro dentro da
sua cabeça dançando balé com a sua imaginação.”
Steffany
– 9º ano B
segunda-feira, 29 de setembro de 2014
Não se meta em coisa errada
Minha tia me dizia para não me meter em
coisa errada. Eu entendia o que ela queria dizer, mas o que vinha a ser essa
tal coisa errada era um pouco difícil de perceber. A não ser quando fosse muito,
mas muito errada mesmo. Mas tudo bem. Acho que não me meti em “coisa muito
errada mesmo”, mas um dia eu quase “levei
o farelo” por causa de um camarada que conheci na escola. Ele era muito
bacana. Sorria todo o tempo. Era boa pinta. Muito popular entre as meninas. Sempre
tinha grana pra lanchar e pagar para os outros colegas no intervalo. Não morava
na cidade. Dizia que todos os dias pegava o Transbrasiliana, e vinha de
Goianésia pra cá. Todos os dias... Imagine a despesa...
Eu até que gostava dele. Pra falar a
verdade eu era o melhor amigo que ele tinha na escola. Depois das aulas
jogávamos videogame juntos: corrida de carros geralmente. Tomávamos um
refrigerante e íamos embora. Ele seguia para a agência da Transbrasiliana e eu
para minha casa.
Já estava quase acabando o ano, quando
fui convidado por ele para ir à sua casa, passar um fim de semana. Pedi pra
minha tia e ela me fez um monte de perguntas sobre o colega e mais um tanto de
recomendações. Por fim, deixou que eu fosse.
Na sexta feira, depois da aula, passei
em casa, peguei a mochila com algumas roupas e “rasguei” com ele para Goianésia.Chegamos lá e fomos andando para a
casa dele. Longe “pra caralho!” Depois de meia hora caminhando
chegamos a uma casa recuada, com muitas plantas na frente, até um pé de manga.
Casa pequena, de madeira, uma pequena varanda, sala, dois quartos, cozinha e
nos fundos o banheiro. Quem nos recebeu foi sua avó. Na verdade só tinha ela na
casa. Os dois moravam juntos. Ele havia me dito que morava com os pais, em casa
grande, construída, disse que tinham carro e tudo o mais. E agora? Sentou-se na
cama e disse que não havia dito a verdade porque tinha vergonha. Disse ainda
que seus pais moravam na África fazendo estudos, eram biólogos. Foi bem difícil
para eu digerir esse devaneio dele, mas tudo bem. Sua avó era muito boa, uma
senhora muito agradável, de voz doce e cabelos branquinhos. Ela me acolheu
muito bem.
Saímos à noite e foi aí que descobri que
ele tinha muitas amizades, mas todos eram pessoas mais velhas que a gente.
Fomos a uma pizzaria na praça, tomar umas cervejinhas. Éramos menores de idade,
mas já tínhamos dezessete anos. Ninguém negava bebida pra gente nos bares, e
pedir documento, jamais. Não é costume dos bares em nossa região.
De vez em quando algum carro parava, abria
o vidro e ele ia até lá, conversava com o motorista e voltava. Acho que só
nessas duas horas que passamos lá sentados foram uns quatro carros diferentes.
Até que um deles que já havia passado umas três vezes por lá, encostou. O
motorista desceu. Era um homem de uns quarenta anos. Sentou-se na mesa com a
gente. Fui apresentado. A conversa estava muito legal e ele nos convidou para
irmos à sua casa. Disse que tinha um uísque maravilhoso e outras coisas mais. A
mulher havia viajado. A casa estava livre para nós. Meu companheiro na hora
aceitou o convite, e com entusiasmo. Eu fiquei meio assim, mas fazer o quê, né?
Fomos.
O carro do cara era o máximo. Carrão
mesmo. A casa então... Entramos e nos sentamos no sofá. A conversa continuou
agradável e melhor ainda quando nos foi servido o uísque acompanhado de frios,
como tira gosto. O uísque estava muito bom. Acho que eu já estava muito tonto e
estava assistindo a um filme que o senhor havia colocado (filme pornô), quando
percebi que meu amigo e o cara tinham sumido. Fiquei, assim, desconfiado, me
levantei e comecei a procurá-los.
Quando ia entrar na cozinha vi que os
dois estavam atracados, se beijando e se amassando. Acho que não me viram.
Voltei para o sofá e um turbilhão de pensamentos passava em minha cabeça. Onde
é que eu havia me metido? O álcool ajudou ainda mais para que eu ficasse louco.
Meu amigo e aquele cara atracados? Ele era gay e eu não havia percebido? Mas
ele nunca havia dado sinais disso... E nem aquele homem! Ele era casado! Que porra era essa?
Eles voltaram, eu fiz de conta que tudo
estava normal. A sala estava meio escura. O cara sentou- se do meu lado. Pegou
na minha perna. O filme pornô rolando. A mão dele foi subindo. Até tocar o meu
pinto. Eu fiquei tremendo. Tomei coragem! Tirei a mão do cara de cima de mim,
mas ele chegou mais perto. No meu ouvido pediu para eu relaxar. Aí eu não
aguentei. Empurrei o cara, me levantei e chamei o meu amigo pra gente ir
embora. Os dois pediam para eu me acalmar, mas eu já estava com o sangue
fervendo. Disse que não gostava daquilo.
Meu amigo me chamou até a cozinha e lá
me disse pra ficar calmo, deixar rolar. Disse aindaque rolava uma grana boa
depois. Afinal, como é que ele arranjava toda a grana pra pagar as coisas na
escola pra galera e pra andar tão bem vestido? E sua avó? Ele tinha de
sustentá-la!
Eu não entendia nada. Eu só queria ir
embora. Saí dali para a sala e sem me despedir daquele senhor me dirigi ao
portão. Estava trancado. O senhor chegou perto de mim e pediu desculpas, disse
que achou que eu, por ser amigo do outro, fazia os mesmos serviços. E disse
muito claramente, com todas as letras, para eu fazer de conta que nada havia
acontecido ou que eu me esquecesse de sua existência, se não...
Meu amigo me acompanhou. Disse que eu
não podia ser assim, tão careta. Disse que era grana fácil e muita grana. Que
eu devia repensar, voltar para a casa do senhor e participar da farra
homossexual que ele estava pretendendo fazer com a gente. Fiquei puto com ele,
xinguei e disse para me respeitar. Garoto de programa? Isso lá é vida! Onde é
que fica a dignidade da gente nessa hora? Vender o corpo? Transar com um cara
por grana? Loucura!
Nada contra o homossexualismo, mas esse
tipo de indução é algo ridículo. O desrespeito dele comigo, me trazendo à sua
casa pra curtir um fim de semana legal, mas que, na verdade, era uma iniciação
à prostituição, eu não podia perdoar.
Ele viu que eu estava com muita raiva.
Pediu pelo amor de Deus para que eu não contasse nada a ninguém. Disse que era
por isso que ele não estudava em sua cidade. Os colegas o zoavam muito. Eu
fiquei calado, mas minha vontade era de chegar à escola e escancarar a verdade
pra galera que o achava tão bacana.
A cabeça esfriou e eu acabei foi ficando
com pena dele... Sua vida era uma grande mentira... Coitado... Infelizmente
algumas pessoas buscam caminhos muito difíceis e imorais para trilhar e ele era
um desses... Um cara inteligente, mas fraco, muito fraco...
Não consegui ficar em sua casa. Já era
tarde, mas fui para a agência e peguei o primeiro ônibus de volta. Cheguei de
madrugada em casa. E a frase de minha tia não me saia da cabeça: “cuidado para
não se meter em coisa errada!” Imagine só a desculpa que tive de inventar e o
sermão que tive de escutar quando ela me viu chegar àquela hora...
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